[Resenha] Segunda temporada de 13 Reasons Why

Antes de mais nada, esta resenha contém SPOILERS e possíveis GATILHOS EMOCIONAIS

Semana passada sentei com o meu irmão na frente da televisão e em algumas noites maratonamos a segunda temporada de 13 Reasons Why. Já havíamos assistido a primeira e não aprovamos, mas é aquela história, já que começou…

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O primeiro episódio começa com o caso da Família Baker contra o colégio Liberty High. Ou seja, após ter escutado o conteúdo das fitas no final da primeira temporada, Olivia, a mãe de Hannah, decide processar o colégio pela omissão a cultura de bullying presente no campus, que seria a base de todos os motivos que levaram a garota a tirar a própria vida. Enquanto o processo corre como circo para a mídia local a maioria dos jovens das fitas é chamada pra depor sobre o colégio e sobre a Hannah, transformando grande parte dos episódios em uma reprise dos acontecimentos da temporada anterior da ótica dos outros adolescentes. Mas não se engane, enquanto outras histórias podem ter a narração de um mesmo acontecimento sobre várias perspectivas de uma forma interessante, em 13 Reasons Why fica claro que essa narrativa foi adotada por um único motivo: O livro ‘Os 13 Porquês’, obra em que a série se baseia, não tem continuidade. Ele inclusive termina com Clay convidando Skye para sair justamente para passar a mensagem de que ele entendeu que não deve cometer o mesmo erro que cometeu com Hannah e mostrar para a Skye, que é uma garota também bastante sozinha no colégio, que ela pode contar com ele.

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Andrew Baker, o pai de Hannah não é visto até o quarto episódio, e quando aparece, a história nos mostra que diante das circunstâncias da morte da filha, ele decidiu morar com a amante e sua filha antes de se divorciar de Olivia. Aqui já tem outro problema. Sabemos como esse tipo de tragédia infelizmente acaba destruindo alguns lares para sempre. Minha crítica não é nem sobre o casal se dissolver, apesar de ser algo previsível e eu achar que, se a proposta da série é realmente prestar suporte, ela não precisava usar um clichê tão dramático. O problema é que essa traição já acontecia desde a primeira temporada e ele foi flagrado na rua e posteriormente confrontado em casa pela Hannah. Vocês se lembram de ter assistido (ou lido pra quem já conhece o livro) essa parte no passado? Nem eu. Então o que na segunda temporada não é uma recapitulação da primeira na perspectiva de outro jovem, é invenção de coisas que aconteceram na primeira, os roteiristas só esqueceram de contar pros espectadores antes. E não é só a traição do pai da Hannah que acontece assim, vários outros acontecimentos da vida dela, inclusive sobre o relacionamento dela com os outros alunos são colocados dessa forma avulsa na história. Plot Twist também é um recurso que dá muito certo em um monte de histórias, mas algum palpite do porquê foi adotado aqui dessa forma? Isso mesmo, porque não existia mais nada na fonte original pra explorar. 

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Outro exemplo de como os roteiristas da série fazem a audiência de tonta é o Alex Standall. No final da primeira temporada, tomado de culpa, ele pega o revolver do pai e atira na própria cabeça, gerando todo aquele suspense do que aconteceria com o menino que estava internado em estado grave no hospital. Resposta: ele felizmente resiste porém fica com sequelas que são além da fala e dos movimentos levemente atrasados, perda da memória recente. Alex lembra quem ele é, que tentou se suicidar, lembra onde estuda, de todos os seus colegas incluindo Hannah, lembra do suicídio da garota, só não lembra dos acontecimentos dos últimos meses envolvendo as fitas. Então toda a sua participação durante a segunda temporada é buscando vestígios e forçando sua memória para se lembrar do que aconteceu, o que significa mais flashbacks da primeira temporada como se já não tivéssemos o suficiente durante os depoimentos no tribunal.

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Porém, alguns poucos acontecimentos não são voltas ao passado. E dois deles são completamente execráveis. Me recordo muito bem de como a primeira temporada foi criticada por vários motivos, mas o unânime foi mostrarem como a Hannah se matou. Foi desnecessário e irresponsável. E a segunda temporada tem duas cenas que cometem os mesmos erros. Uma totalmente desnecessária e outra tão irresponsável, mas tão irresponsável, que eu particularmente acho que deveria ser tirada do ar.

A desnecessária é do retorno de Tyler para escola.

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No inicio da temporada, Tyler começa a se rebelar contra a hipocrisia do colégio de uma forma que mais atrapalha do que ajuda em qualquer coisa. Ele faz amizade com um personagem novo, Cyrus, que é um clichê tão mal feito do “jovem rebelde” que eu, que particularmente gosto bastante de punk rock, queimei de vergonha de ver essa fantasia ridícula de Billie Joe pixando o símbolo da anarquia no campo de baseball do colégio, fazendo bomba de tinta que explode na cara do presidente do conselho estudantil e etc… Se Cyrus já não fosse o “rebelde sem causa” exagerado o suficiente, Tyler consegue ser pior ainda e demonstrar vontade de atacar a escola de uma forma mais agressiva, além de espalhar nas redes sociais que ele e seu novo melhor amigo de infância foram os responsáveis pelas recentes delinquências feitas no campus. Cyrus na sua única ação de bom senso da série inteira recua e avisa a escola sobre as intenções de Tyler. Tyler é convidado a fazer parte de um programa de reeducação comportamental fora do colégio e quando o programa termina, ele retorna para frequentar as aulas normalmente.

Montgomery, o guarda-costas babaca do Bryce se junta com outros jocks e confronta Tyler no banheiro, dando início a cena mais grotesca da temporada inteira. Eu não vou descrever os detalhes dela porque além de ser desnecessária, outras resenhas já fizeram isso. Mas para você entender, caso tenha se poupado de assisti-la, Tyler é largado no banheiro sem conseguir se locomover e sangrando por literalmente todos os orifícios do corpo, sim, todos. Sim, até esse mesmo que você está pensando. Sim.

E a irresponsável é uma do Justin.

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Segundo a primeira temporada, Justin Foley lidava com a mãe viciada em drogas, um padrasto traficante e foge no final. Durante a segunda ficamos sabendo que o tempo em que passou nas ruas, acabou se viciando em heroína e ao longo da temporada ele passa por um processo caseiro de reabilitação provido pelo Clay e nem preciso falar que não deu certo. Dependência química é coisa séria e precisa de intervenção profissional, não de salgadinho e gatorade do seu novo futuro irmão adotivo. Mas o pior está por vir. Justin passa a temporada inteira da casa dos Jensen e no final é adotado pela família já que nem se tem mais notícia da mãe biológica dele. Como dependente químico sem ajuda profissional, é claro que mantém o uso, porém como agora ele vive em uma família, não tem como manter os mesmos métodos, afinal os hematomas do uso de heroína são chamativos. A irresponsabilidade é que mostram detalhadamente, assim como mostraram o suicídio da Hannah, o que ele faz pra continuar consumindo heroína sem deixar vestígios visíveis.

A série tem outras problemáticas como por exemplo como Jess é tratada em relação ao que o Bryce fez com ela, com a Hannah, e depois ficamos sabendo que com várias outras meninas do colégio. O Clay oscilar brutalmente de opinião sobre a Hannah só por descobrir que ela era uma jovem sexualmente ativa, chegando a duvidar da história dela e quase justificar os assédios e o estupro. A forma final como a série tenta passar uma mensagem positiva para mulheres vítimas de assédio e agressão sexual foi feita de qualquer jeito, ficando aleatória dentro da narrativa. E claro, o final de Bryce é totalmente revoltante.

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E ainda deixaram ganchos para uma terceira temporada que eu não consigo acreditar em como poderia ser bem realizada. Para uma série que diz abordar bullying, assédio, estupro, violência e suicídio com a finalidade de ajudar adolescentes que possam estar enfrentando esses tipos de horrores, eu a acho extremamente mal pensada e desenvolvida. Definitivamente não a recomendaria para ninguém nessas situações.

Mas para não ser injusta, a trilha sonora é uma das melhores que já ouvi em série. Seria o único ponto realmente positivo na minha opinião, e assumo que é sim um baita ponto positivo apresentar pra molecada de hoje Siouxie & the Banshees e outras ótimas bandas dos anos 80, década que toca em peso na temporada.

Ui, me senti velha. Hora de me retirar…

 


Se você está enfrentando algum problema abordado na série e de alguma forma não consegue se comunicar com os seus pais ou algum profissional, você pode buscar ajuda em:

Instituto ABRECE (programa de prevenção ao bullying)

Centro de Valorização da Vida (prevenção ao suicídio)

Narcóticos Anônimos (prevenção ao vício de substâncias)

PAVAS – Programa de Atenção à Violência Sexual (apoio para vítimas de estupro)

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