[Resenha e Crítica] – Live Action de Shingeki no Kyojin, parte 1

Dizem que as primeiras palavras pra se escrever um texto são as mais difíceis, e concordo. Elas não precisam ser mais bonitas ou mais bem escritas, longe disso, mas quando se quer falar muito de uma coisa, fica fácil não saber por onde começar. E meu amigo, como eu quero falar da Live de Attack on Titan!

Esta resenha contém SPOILERS

imagem_release_1221326

Em primeiro lugar, eu curti. Estava meio receoso, pois Lives e adaptações do mundo do mangá nunca foram do meu agrado, mas desta vez foi bem legal. Claro que teve seus tropeços, e já falo deles, mas o conjunto da obra deixou uma boa impressão.

Começando (apesar do terceiro parágrafo) pela resenha, acho importante ressaltar que o filme se separa do anime e mangá, em pontos que irritariam muita gente. Então, se você está esperando uma cópia do anime estrelando pessoas, desista. Dito isso, lembre-se que o nome “adaptação” já diz tudo: é pra ser diferente, se fosse pra ser igualzinho era só reimprimir os volumes do mangá. Cabe aos diretores escolherem o que mostrar e a nós julgar se ficou bom ou não. Sem mais delongas, o resumo do enredo:

100 anos atrás, os Titãs apareceram e mataram quase todo mundo, por isso os humanos construiram os muros para viver dentro. Eren, Armin e Mikasa vivem numa das cidadezinhas camponesas entre a 2a e 3a barreir. E ao tentar ver o que há do lado de fora da muralha se encontram fugindo de diversos Titãs, que entraram quando um Titã Colossal chutou (literalmente) a muralha. 2 anos depois, Eren e Arwin entram no exército para lutar contra os monstros, motivados pela “morte” de Mikasa. Eles fazem parte do último batalhão que irá tentar fechar a muralha, pois todos os anteriores foram massacrados e os explosivos estavam acabando. Durante a missão, Titãs atacam e todo mundo quase morre, porém Mikasa (spoilers: ela não morreu) e Shikishima chegam ao resgate da tropa. Surge uma tensão romântica pois aparentemente a não morta Mikasa agora corresponde ao Shikishima, seu mentor. Numa segunda leva de ataques dos Titãs Eren se sacrifica para salvar Arwin e pelo estresse de perder alguns membros e começar a ser digerido, se transforma num Titã e sai metendo porrada em todo mundo. O filme termina sugerindo cenas da parte 2 da live.

about-sannagi

Esse cara é novo (maneiro, mas novo)

Notem então que as personagens do mangá foram todas desmembradas, aí pegaram o que sobrou e fizeram arte moderna com os restos. Muito da cara, personalidade, relações interpessoais e motivação das personagens mudou drasticamente nessa live. Personagens tanto importantes quanto secundárias foram trocadas ou substituídas, e as que ficaram estavam completamente alteradas do original. As mudanças mais perceptíveis foram a troca do Levi pelo Shikishima, seguido da reinterpretação da história e personalidade dos principais, Eren e Mikasa (Arwin foi rebaixado de principal). Eu sei que lá em cima falei que isso não importa pra mim, e não importa mesmo; mas acho legal mencionar essa mudança porque muita gente expressou desconforto com ela, esperando talvez uma recontagem mais fiel.

Analisando agora o filme por si só, sem comparar ao anime, vamos soltar do sistema o que eu não gostei: incoerências.

– Por que raios a equipe do Eren é tão, mas tão mal treinada? Logo antes de sair alguém avisa para a tropa: “falem baixo, pois os titãs são sensíveis à voz humana”. A idea é que eles são mal treinados sim, mas esse momento me quebrou a imersão no filme! É um detalhe muito básico e crucial pra não ter sido dito em algum momento mais propício, como um treinamento, ou na própria apresentação da missão!
– Vale ressaltar que ficou muito “no ar” como a Mikasa sobreviveu à mordida do Titã, afinal o filme inteiro é de cenas de Titãs devorando e rasgando pessoas. Por que só ela se salvou?
– Também jogado é de onde veio a bela moça que vem dar uns beijinhos no Eren logo em seguida, naquela missão só tinha gente do batalhão deles!
– E por fim, numa das cenas mais marcantes do filme, em que Eren se sacrifica para salvar Arwin, ele se teletransporta. Ponto. Como ele foi do telhado pra boca do Titã, fica pra Deus decidir.

Logo nas primeiras cenas, o que me impressionou foi o cromatismo do filme, o jeito dele de usar as cores pra passar ideas, sentimentos e propostas. Não sou nenhum expert pra dar uma análise detalhada, mas pra mim ficou muito claro que o começo do filme era “coloridasso” pra representar a movimentação cheia de vida da cidade, que deu lugar pros tons de cinza da muralha, que continuaram ao longo do filme inteiro pra representar a opressão e falta de esperança que os Titãs trouxeram. Só escaparam desse acinzentamento algumas poucas cenas ensolaradas, em momentos de esperança de luta ou felicidade. Os próprios gigantes eram no mesmo tom de cinza do concreto! Pra mim fez muito sentido tudo isso pintar a opressão que vinha da simples presença dos gigantes.

cores.PNG

Olha que diferença entre as duas imagens:

maxresdefaultA trilha encaixou no resto do filme, na minha opinião ficou muito boa, gostosa mesmo de ouvir. Ela combinou com todas as cenas e acentuou o tom e a sensação do que expressavam, e se uma trilha sonora não fizer no mínimo isso, ela não deveria nem estar lá.

Agora falando do que ficou nem bom nem ruim, os efeitos especiais me deixam com um pé atrás e outro na frente. Fica muito claro pro espectador, o filme inteiro, o que é efeito especial e o que não é. Por outro lado eu amei como os titãs foram retratados, principalmente os figurantes acinzentados!

Achei interessante também como a narrativa é estruturada: logo no começo, Eren traz muito a figura do Underdog, muito comum nos animes japoneses. Pense no Naruto, o moleque que só da bola fora mas tem muito a acrescentar pra sociedade. Nesse live, Eren expressa seu descontentamento com a muralha, que representa e garante os privilégios de quem mora no centro e de quem governa, oprimindo e prendendo o povo.

Curti muito como o filme abre trazendo esse questionamento da sociedade que o anime nem trisca direito, e fiquei um pouco chateado quando lá pro meio do filme essas ideas ficam meio que jogadas e não são mais trabalhadas. Parece que o diretor queria uma coisa e mudou de idea no meio do caminho; e na verdade os diretores foram mudados ao longo da produção por “divergências criativas”! Será que o filme foi realmente mudado no meio e ninguém tentou juntar as duas propostas?

No final das contas, eu gostei de assistir ao filme, mas nem todo mundo vai gostar; ele toma liberdades criativas perante as obra originais mas não desenvolveu o suficiente pra ser uma coisa nova. Mas eu acredito que pros fãs e interessados de Ataque aos Titãs, vale a conferida da obra. E aproveita que estará em cartaz em Abril desse ano!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s