X-CIÊNCIA – A ciência em 2001 – Uma odisséia no espaço

Há algumas semanas fui convidado a um debate após uma exibição do filme 2001 – Uma odisséia no espaço. Foi uma experiência interessante ver tantas pessoas interessadas em discutir a parte científica do filme. Contudo, devido ao nosso pequeno tempo, não foi possível responder inúmeras perguntas que permaneceram sobre o filme. Resolvi então reunir em um X-Ciência um pequeno aglomerado das dúvidas que surgiram! Então prepare-se, está na hora de discutirmos um grande clássico!

Antes de mais nada, o filme é de 1968, considerado um clássico de Stanley Kubrick e Arthur Clarke, e claro que ainda tem muita gente que NÃO assistiu. Então, gostaria de lembrar que muito provavelmente esta coluna apresentará SPOILERS sobre o filme. ESTE SERÁ O ÚLTIMO AVISO.

Gravidade Falsa


O filme começa mostrando algumas táticas interessantes para burlar a falta de gravidade espacial. Não, não estou falando dos “grip shoes” usados pelas “espaço-moças” no começo do filme! Os sapatinhos bizarros não criavam gravidade, apenas eram sapatos especiais (com velcro?) que grudavam no piso da nave.

Mas voltando, o filme mostra o cientista Dr. Heywood R. Floyd (William Sylvester) chegando a um satélite (uma espécie de aeroporto… ou seria naveporto?). Este satélite lembra muito uma roda de carroça, e claramente ele gira, usando assim a força centrífuga para criar uma gravidade artificial.

Posteriormente vemos a nave Discovery One viajando até Júpiter. Nela vemos o mesmo sistema (mas em menor escala) de rotação para a criação de uma gravidade. Claro que devido a sua menor escala a cena na nave Discovery é bem mais chocante!

Mas isso é possivel?

Devido ao período de exposição a um ambiente de gravidade zero, os astronautas perdem considerável massa muscular e óssea. Portanto, um ambiente com gravidade ajudaria os astronautas em seu período no espaço.

Pensando nisso a NASA tem discutido possibilidades de criação de uma gravidade artificial, na verdade seu primeiro experimento real é datado em 1966 usando a Gemini 11!

Criar um ambiente em gravidade zero com uma possível força centrífuga simulando nossa gravidade (ah, e claro, girando rápido suficiente para gerar uma boa aceleração, mas lento o bastante para não deixar os astronautas enjoados) é um verdadeiro desafio de engenharia. Além disso qualquer movimento dos astronautas dentro dessa área pode mudar sua velocidade tangencial. Não, não é só colocar a nave para girar!

Contudo ainda existem outras alternativas, como criar um campo magnético ou uma aceleração tangencial, ainda não estamos próximos de 2001 (eu sei, passamos, 2018 agora) mas estamos lá.

Hibernação


Durante o filme surgem 3 personagens que não terão nenhuma participação além de durmir e…. morrer (spoiler!). Este pobres cientístas estão em animação suspensa. Segundo o filme, eles dormirão durante todo o trajeto até Júpiter respirando apenas 1x por minuto e com uma temperatura baixa (cerca de 3° C a menos).

Infelizmente eles não acordam para observarmos como seria esta… “reativação” dos seus organismos. Mas parece que a tal hibernação é um caso rotineiro para os astronautas da mídia. Inclusive estes cientistas entraram em hibernação ainda na Terra.

Mas isso é possivel?

Claro! Na verdade a NASA também está estudando isso! Além dos fatores já citados, temos os problemas de alimentação. Uma viagem longa pode acabar com os recursos dos tripulantes. Mas claro, existe ainda um ponto importante… o tédio. Imagine viajar anos em um pequeno cubículo, sem muita coisa para fazer, sem muita coisa para assistir, sem passeios ou uma vista diferente. Então, o que fazer? Botar a galera para dormir!

A NASA ainda não chegou ao nível de algo mostrado no filme, mas ela consegue “induzir ao coma” o astronauta. Assim ele gastaria bem menos energia (claro, ainda teria de ser alimentado). Porém o recorde de hibernação ainda não passou de 10 dias. Logo, ainda não temos algo similar ao que foi visto no filme.

Inteligência Artificial


Um dos personagens mais emblemáticos do filme é HAL 9000, a inteligência artificial com voz monotônica. Os eventos se desenrolam em torno de seus pensamentos. Seu olho vermelho e frio chega a criar mau estar para quem assiste. Suas falas parecem estar sempre impregnadas de ironia e intenções duvidosas.

Durante o filme (sim, mais spoiler, tô nem aí) Hal percebe que os astronautas querem puxar sua tomada, logo, não vê alternativa a não ser MATAR TODO MUNDO! Inclusive os hibernantes (melhor previnir). Suas falas ao tentar evitar seu desligamento são cheias de sentimento. Ouso dizer que é a morte mais triste do filme (vai dizer que você não ficou triste com a sua música final?).

Hal possui uma linha de raciocínio incrível, capaz de tomar decisões e prever ações. Suas falas mostram que talvez exista sentimento em seus atos e até mesmo, ao pedir para olhar um desenho feito por David, Hal demonstra uma qualidade humana: curiosidade.

Mas isso é possivel?

Muito possivelmente! Não podemos dizer que existirá uma Inteligência Artificial (IA) que queira nos matar, mas não estamos muito longe de criar uma.

Todo mundo conhece a Siri (IA presente no IOS) e apesar de limitada, ela possui um bom acervo de respostas. Mas conhece Sofia? Ela é um bom exemplo de inteligência artificial. Sofia foi criada por Hanson Robotics, de Hong Kong e é capaz de desenvolver um belo bate-papo. Confira uma de suas entrevistas no vídeo abaixo.

Não acredito que ela passaria no famoso Teste de Turing: teste no qual colocamos um entrevistador para conversar com uma máquina e uma pessoa, caso ele não consiga diferenciar os dois, a máquina passou no teste (vitória da SKYNET). Porém, mesmo não passando no teste, Sofia está bem próxima.

Maaaas, nem tudo são flores para nosso universo de IAs. Há alguns meses a empresa da rede social mais legal do momento, o Facebook, criou 2 IAs distintas e colocaram as IAs para conversar. Após algum tempo os bots iniciaram um bate papo bizarro e sem compreensão. Acredita-se que ambas IAs, durante os 2 dedinhos de prosa, se reconheceram como “criaturas da mesma espécie” e criaram uma possível LÍNGUA PRÓPRIA! Seu cérebro explodiu?

E claro, ninguém entendia o que diabos eles estavam falando! Resultado? Mandaram matar desconectar as IAs. Skynet está próxima!

Outros casos também são bem populares nas redes, como o bot da Google que após alguns meses interagindo com o mundo se tornou… nazista… e após destruirem a IA e recriarem outra, a mesma se tornou uma fã de Linux! Acho que esta também será morta em breve.

Bom, isto tudo para você ver que em breve teremos um HAL 9000!

Sobreviver no Espaço


O assunto voltou em pauta depois do filme Star Wars VIII (pera… outro spoiler, se não viu pula este tópico). Leia tem uma cena de sobrevivência no espaço que foi um pouco… estranha. Enfim, tentar sobreviver no espaço não é novidade, lembram do Star Lord em Guardiões da Galáxia? E eles todos copiaram David em 2001.

David resolve sair da nave para buscar seu amigo Frank e quando volta HAL decide não deixá-lo entrar. Como ele está sem capacete resolve entrar… bem rápido. E portanto fica um tempo exposto ao vácuo do espaço.

Mas isso é possivel?

Bom, eu falei muito sobre isso num antigo X-Ciência (link), no qual comento a possibilidade de sobrevivência no espaço. Logo, não vou me alongar. Mas só para relembrar, segundo os centros de pesquisa, é possível sobreviver até 20s (em média) no espaço, e claro, eu contei. David fica ~14s tentando fechar a porta e estabilizando o ambiente, logo… é possível! Claro que não com a facilidade que David demonstrou. Como podemos ver, os filmes posteriores mostram que sempre haverá ligeiras sequelas!


CONCLUSÃO: 2001 está cheio de referências e conteúdo verossímil. Lembrando que Clarke, roterista do filme, era físico e matemático. Logo, é possível entender o sucesso do filme. Ah, mas você não gosta de filmes parados e sim de ação, cheio de sons, explosões e cenas épicas? Ok, mas veja o filme mesmo assim E TENTE ENTENDER AQUELE FINAL! Vai te dar o que pensar.

Referẽncias


http://www2.uol.com.br

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