[CONTO] Compêndio do Santo Bruxo – A inauguração da Taverna!

                  O  azul acinzentado cede, subitamente, à negritude da noite. A poderosa e radiante deusa Sol é coberta pela criação da Mãe Magia, a misteriosa e mágica esfera Argêntea no céu.  Estranhamente, ainda não é hora disso: você acabou de devorar algumas sementes que encontrou na floresta, acreditando ser o seu almoço.   Você já está nessa vida de aventureiro tempo o suficiente para reconhecer uma queda na temperatura e o estado anuviado do céu: uma tempestade se aproxima! E pelo visto, será violenta, com mais relâmpagos que baforada de dragão azul!

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                  Seus pés doem, seu corpo e sua mochila estão pelo menos três vezes mais pesados do que estavam quando   você partiu da ultima cidade onde esteve, há cinco dias atrás.  O gramado e o orvalho têm sido sua cama, e o barulho dos pássaros,  tua companhia de prosas. A mordida daquele maldito lobo ainda arde na tua panturrilha. – Pelo menos ele estava saboroso!  Teu corpo implora por conforto, banho e comida.  E sua mente já esteve sozinha por tempo demais. Você precisa de abrigo.

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              Segue a jornada sonhando acordado com um suculento pernil assado e uma enorme jarra de cerveja. Até ouve a voz suave  e sente o perfume apimentado de uma bela dama (ou de um belo rapaz,  você é livre para desejar o que quiser) no seu colo. Algo te desperta do devaneio: Sons familiares. Conversas; Acordes de bandolim. Estrondo de cadeiras sendo quebradas em meio à rufiões embriagados. Copos quebrando. Gargalhadas.  O barulho caótico te guia em meio à estrada e ao longe você avista exatamente abaixo da Lua uma taverna. Não muito grande, mas perfeitamente iluminada, como se ainda fosse dia sobre a construção. Exatamente localizada entre o nada e o lugar nenhum.  Um Estandarte de pano cor de prata mostra o símbolo da taverna: Com um tom rubro, como se fosse pintado de sangue, é possível avistar  o desenho do Sol coberto pela Lua, abaixo há uma inscrição em runas celestiais -que magicamente se adaptam para seus símbolos de escrita e seu idioma natal:  BEM VINDO À TAVERNA DO ECLIPSE!

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              Ainda na dúvida se isso é um presente ou um castigo dos deuses, você adentra à taverna, sabendo que a alternativa é pior, pois já ouve o uivo do alfa de uma matilha.

              A visão lá dentro é assustadora e magnífica  ao mesmo tempo: ela é maior do que parecia lá de fora. MUITO maior. A única construção que já havia visto desse tamanho foi um forte que fora contratado para proteger de um ataque goblinóide, tempos atrás (ataque esse que te custou uma linda espada bastarda  e um pé do seu par de botas, mas essa história fica pra outro dia). O cheiro de cerveja de musgo anã do Clã  Barba-de-Montanha (a melhor de todas!) mistura-se ao cheiro acanelado e doce do vinho élfico e costela assada à moda halfling (o que esses baixinhos não tem de altura, tem de boa culinária, pelos deuses!), e inúmeras outras comidas e bebidas que você nem imaginava que existiriam neste ou em qualquer mundo!

             Andando pela taverna, vê elfos em debates acalorados com anões e crias orcs numa mesa enquanto um piadista gnomo dá risada do chifre quebrado de um tiefling. Uma anã  tatuada e um enorme orc disputam uma queda de braço – vencida pela anã pouco depois. O Orc até tentou se desculpar inventando que ela trapaceou, mas decidiu entregar as moedas quando ela lhe mostrou um machado cravejado de runas. Drows cantam enquanto um halfling toca seu bandolim e um bando de humanoides de diversas raças e etnias gritam e apostam seu dinheiro ao redor de uma contenda envolvendo  um homem barbado e musculoso semi-nu  e  um centauro de cor zebrada e com enorme bigode preto, que não parava de dar coices. Você não conseguiu segurar o riso ao ver essa cena tão bizarra.

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              Em meio ao farfalhar de rufiões celebrando o fim de mais um dia, você sente que  taverneiro te fita de longe. Parece que sua atenção está toda em você. O estranho é que enquanto ele te olha, tudo parece estar borrado e fora de foco e a única coisa que você consegue visualizar perfeitamente  é daquele homem de manto vermelho do outro lado do balcão. Do mesmo jeito, todas as vozes e barulhos se abafam, como se você estivesse despertando de um desmaio. Apenas uma voz sussurrada é ouvida dentro da sua mente: Eu estava a sua espera. Obrigado por ter aceitado o convite. Venha, se aproxime, serei seu anfitrião . Seu corpo segue sozinho até o balcão. Voce está enfeitiçado! Tem certeza disso! Mas ao mesmo tempo, não consegue sentir medo. Ao contrário: ironicamente, o que sente é calma.  Parece que tua alma não reconhece perigo algum.

           Você se aproxima do balcão e vê do outro lado um homem de aparência distinta para um humano: Consegue  ver, sob seu capuz, seus cabelos e pelos da face totalmente grisalhos,quem fazem total contraste à sua aparência que não parece ser idosa,  porém seus olhos argênteos são profundos e parecem ter visto seres e coisas o suficiente para preencher a eternidade de todo um universo. Uma tatuagem na sua testa repete o sinal da entrada : o Eclipse pintado em sangue. Uma argola de prata em seu nariz e algumas tatuagens ritualísticas em formas circulares sob seus olhos indicam habilidade mágica, embora o medalhão em seu peito parece pertencer a alguma divindade. Esse ser parece um paradoxo em carne. Une a Juventude com a experiência. O corpo com o espírito. O divino com o profano.

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           “ Olá, viajante. – diz o Taverneiro Místico, retirando seu capuz exibindo seus cabelos brancos- Serei breve na minha apresentação. Sinto que estás cansado e faminto, não pretendo tomar muito de seu tempo. Sou um viajante planar, servo da Mãe Magia, a deusa do conhecimento e das artes arcanas. Tenho servido há séculos como seu cavaleiro e arauto, em troca de seus favores. Em seu nome, conheci todos os mundos.  Creio que tu já deves ter lido de minha obra:  o Grande Compendio dos Planos…”

       (O Grande Compendio dos planos. Você já ouviu falar dele. Na verdade, nenhum aventureiro que se preze começa sua jornada sem ler seus capítulos. Rezava a lenda que o  conhecimento ancestral do livro era escrito pelo escolhido da deusa sábia. Um herói lendário há muito entoado em canções e trovas dos grandes menestréis, cujo nome consta escrito nos livros mais sagrados e é proferido com o máximo respeito por todos os sacerdotes : o Santo Bruxo!)
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           – Você..é….é….

         – O Santo Bruxo? Sim. Sou eu. Tenho percebido tua sede de conhecimento , tuas proezas. Concluí que seria útil te apresentar aos inimigos e aliados que podes encontrar pelas suas viagens… 

            -Mas… o que faz aqui? O que é esta taverna? Por que voc….

         Shhhh! –Seus lábios magicamente se calam- Descansa, criança. Tu precisas de refúgio para a alma. Teu corpo precisa se recuperar, e tua mente precisa descansar. Aproveita, viajante.  Quando acordares, estarei aqui. Tua estadia será por minha conta!

       Como que por encantamento, você não consegue mais proferir palavra alguma com o homem, que começa a conversar com um meio-dragão – que pela expressão parece estar tão surpreso quanto você.  ” Mas  afinal, que diabos estou fazendo aqui? por que eu? O que ele quer me ensinar?” Logo  esse mal estar passa quando um guisado de javali com batatas subterrâneas surge na sua mesa com uma torre de cerveja de musgo anã do Clã  Barba-de-Montanha (eu já te disse que ela é  a melhor de todas?)
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Essa foi a introdução aos Contos do Santo Bruxo, e a inauguração da nossa taverna, a Taverna do Eclipse! Teremos um encontro semanal, cada postagem com um conto apresentando um novo mundo e um novo personagem pra vocês!
Até a próxima, aventureiros!

 

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