X-CIÊNCIA – Como funciona a baforada de dragão?

I am fire …. I am… DEATH

– Smaug

E aí pessoas da área, aqui estou em mais um fabuloso X-Ciência! E como estou numa pegada meio RPGística, vou tacar pau neste tema. Trago para vocês explicações científicas sobre a desgraça dos Saving Throw. O pior ataque dos grandes lagartos. A baforada de dragão!

 

Lembro que quando assisti ao Hobbit 3 (mesmo lendo o livro anteriormente) torci para que desta vez Smaug saísse vivo. A cena de sua raiva contra a cidade é bem melhor do que pude imaginar ao ler o livro. Aliás, sei que serei crucificado, mas juro que gostei mais da leitura de Hobbit do que Senhor dos Anéis. E munido de minha enorme admiração por dragões e das cerca de 40 baforadas que Smaug atirou sobre a cidade do lago, pensei em pesquisar e criar teorias de como funciona a famosa baforada de dragão.

Somente baforada de fogo aqui, por favor!

Antes de começarmos a teoria, sei que muitos jogadores não pensam em apenas um tipo de baforada (de gelo, de ácido, de água, de gema explosiva, etc), portanto vamos especificar. Para facilitar vamos pensar apenas na baforada clássica e a mais memorável. A boa e velha baforada de fogo.

Então vamos lá, para quem não sabe, Henry Gee lançou um livro bem legal com várias explicações científicas sobre a Terra Média, entre elas existe uma teoria sobre a baforada dos Charmanders dragões desta mitologia.

Uma coisa bem legal que Henry citou foi sobre o besouro-bombeiro. Esta criatura produz uma substância num processo que gera calor, lembra alguém? Sim, um dragão.

Combustível + Energia de Ativação + Ar


Vamos ao conceito! A regra é clara, sem estes 3 itens não temos fogo. Ar temos em abundância, então é um problema a menos para pensarmos. O calor e o combustível devem ser gerados pelo corpo. Assim como o besouro, o dragão deve possuir meios para produzir o combustível. A sugestão de Gee é éter etílico, altamente inflamável e de fácil fabricação por microrganismos. Certas bactérias podem produzir até ácido sultúrico. Nosso corpo, naturalmente, produz metano como subproduto da digestão (sim, mas pelo lado errado para uma baforada).

Quem assistiu aquele lixo filme do Godzilla em 1998 deve lembrar de uma cena de sua baforada. Na verdade Godzilla possui uma baforada atômica, que nada tem a ver com o que é discutido aqui, mas no filme estadunidense vemos claramente que Godzila apenas emite um gás que devido à alguma faísca (no caso os dentes) acaba ateando fogo em tudo. Mas como isso ocorre?

Vejamos as possibilidades:

 Combustível no estômago


Uma possibilidade seria os dragões possuírem um estômago grande e com “compartimentos” para reservar o combustível em seu interior. Com isso ele poderia produzir seu combustível como subproduto da digestão e sua baforada seria simplesmente  uma ruminação como acontece com as vacas, ou seja, seu vômito…. eeeeca

Glândulas de Napalm


Outra possibilidade é que (como o besouro-bombeiro) ele possua glândulas que produzem produtos químicos que, ao se misturarem, acabam criando algum produto inflamável como o próprio Napalm ou éter. Acho Napalm uma boa alternativa, pois se trata de um conjunto de líquidos inflamáveis à base de gasolina gelificada, utilizados como armamento militar. Napalm é na realidade o agente espessante de tais líquidos, que quando misturado com gasolina a transforma num gel pegajoso e incendiário.

Uma coisa interessante que também é discutido no livro, é que este combustível não é “barato”. O gasto de produção de algo semelhante requer muita energia, isso justificaria o apetite insano dos dragões. Coloco também um alternativa, que esta energia seja acumulada de alguma forma pela proximidade de ouro. É da mitologia que dragões necessitam permanecer mergulhados em grandes quantias monetárias como o Tio Patinhas para evoluírem e tornarem-se mais fortes. Talvez o ouro influencie seu campo magnético ou sua condutibilidade elétrica para que possa absorver radiações de alguma forma e alimentem seu gasto energético. Enfim, isto fica para outra coluna.

Faíscas como energia de ativação


Uma possibilidade, como eu já comentei, presente no filme de Godzilla (1998), é o combustível ser gerado e a faísca ser feita pelo estalo dos dentes, como uma verdadeira pederneira. Uma outra hipótese é que o combustível possa ser ejetado tão rapidamente que a eletricidade estática faz o resto, ou mesmo (uma das teorias do livro) é que os dentes possam possuir propriedades piezo elétricas, ou seja, são capazes de gerar eletricidade por pressão, criando assim a faísca.

Talvez o pessoal se lembre (na verdade meu sobrinho lembrou) o “Vômito e Arroto”  do filme “Como treinar seu Dragão“. Um dragão de 2 cabeças onde uma fazia o gás inflamável e a outra a faísca, e o aconselhável era molhar a cabeça “da faísca” para evitar a baforada.

Contudo na maior parte das imagens, filmes e representações, percebemos que o fogo parece se originar de dentro da garganta do monstro. Na cena de Hobbit 3, ao ser acertado pela lança notamos um certo fulgor na ferida, como se dentro dele já estivesse em chamas, isso significa que o processo, seja ele misturando enzimas ou gases e faíscas, é feito internamente e o interior (assim como o exterior) do bicho é à prova de fogo.

Logo, acredito que a reação para obtenção do combustível deve gerar sua própria energia de ativação.

CONCLUSÃO


Existem inúmeras possibilidades de geração de uma baforada de fogo, ela é mais simples que uma baforada de gelo. O problema seria o gasto energético e claro o desgaste físico. Se Dragões são semelhantes a répteis, o calor interior deve regular seu organismo, porém isso poderia prejudicar seu corpo. Claro que isto é apenas SE dragões são ou não répteis.

Acho que a conclusão mais importante é que o interesse pela ciência no universo nerd é bem maior que eu pensava. Livros, artigos, palestras e seriados foram feitos pensando em explicar os dragões! A busca pela compreensão do desconhecido é o que nos diferencia de qualquer outro animal (não é polegar opositor). Nossa maior qualidade é a capacidade de observar algo e se questionar o por quê.

Obrigado, Henry Gee!

Falei bonito… pelo menos achei

 

AUTOR: Marcelo
Marcelo é formado em Física pela USP, mestre em Astrofísica e, nas horas vagas está terminando seu doutorado em Astronomia e nas horas mais vagas escreve para o Provollone.

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