Webséries que todo fã de literatura deveria conhecer

Lá atrás, em 2012, fui apresentada a um tipo de seriado no YouTube no qual fiquei viciada: adaptações modernas de livros clássicos! Eu assisti vários da Pemberley Digital na época em que saíram, depois fiquei um bom tempo sem ver nenhuma outra websérie do estilo. Recentemente, no entanto, comecei a procurar por elas de novo. Então resolvi fazer uma lista com minhas favoritas até o momento, porque essas séries precisam de mais amor!

E mesmo que você nunca tenha lido nenhum desses livros, e nem tenha intenção de ler, não tem importância! Dê uma chance para as adaptações! Acho que é uma ótima maneira de conhecer essas histórias, ainda mais porque foram adaptadas para uma linguagem moderna. E você pode até se interessar em procurar o original (como aconteceu comigo com alguns casos). Só uma observação: nem todas essas séries têm legendas em português (na verdade, acho que só Lizzie Bennet tem), mas pelo menos costumam ter em inglês.

Vamos lá:

Lizzie Bennet Diaries – Onde tudo começou. LBD foi a primeira série nesse estilo a ficar super conhecida e acabou gerando outras, tanto do mesmo grupo de produção, Pemberley Digital, quanto outros de maior ou menor sucesso. Ganhou diversos prêmios Streamy e um Emmy. Também deu origem a dois livros: O Diário Secreto de Lizzie Bennet e As Épicas Aventuras de Lydia Bennet, ambos publicados no Brasil pela editora Verus.

A série é uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, em que Lizzie Bennet, uma estudante universitária de Comunicação de Massa, cria um vlog para usar como um projeto para seu curso. Esse vlog é usado como seu diário, e nele Lizzie conta sua história e a de suas irmãs, Jane e Lydia (se você conhece a história e está se perguntando onde estão as outras irmãs: Mary é uma prima e Kitty uma gatinha 💖) – e as complicações criadas com a chegada dos novos vizinhos, Bing Lee e Darcy -, usando uma espécie de “teatrinho” para contar o que ela e outras pessoas fizeram e disseram: Lizzie e suas irmãs ou amigos usam algum(ns) objeto(s) para representar outra pessoa – que pode ou não estar presente no vídeo – e se faz passar por ela em alguma situação que viveram. É uma solução interessante para poder contar toda a história sem que todos os personagens precisem aparecer nos vídeos da Lizzie. E alguns são incrivelmente hilários! Além disso, a história não foi contada apenas em seu vlog; as pessoas podem acompanhar detalhes da vida dos personagens também no Twitter, no Pinterest, no Instagram… os criadores realmente se esforçaram para criar uma experiência interessante para os fãs, de forma que os personagens de Lizzie Bennet Diaries parecem mesmo pessoas reais, vivendo em nosso mundo – e usando a internet.

E o que começa com o vlog da Lizzie acaba se estendendo para a Lydia e a Charlotte também, mostrando novos ângulos da história (em alguns aspectos mais que no original – ou de forma diferente). Não achei que todas as mudanças feitas foram perfeitas, porém gostei da maioria – e algumas das soluções modernas para as questões de época foram realmente geniais! Com certeza é a minha adaptação favorita de Orgulho e Preconceito.

 

Emma Approved – Mais uma série baseada em uma obra de Jane Austen: Emma. Um dos romances mais conhecidos e amados da autora britânica, Emma já havia ganhado uma ótima adaptação moderna, bastante conhecida: As Patricinhas de Bervely HIlls (Clueless, no original). Então, acredito que se mesmo que você ainda não tenho nem chegado perto do livro (por que não?!) ou assistido às adaptações que se passam na época mesmo do original (têm filmes e séries de TV), já deve ter pelo menos tido algum contato com As Patricinhas de Bervely HIlls, certo? As histórias têm a mesma base: Emma, uma garota de família rica, é um bocado arrogante um um tanto preconceituosa. Após obter sucesso ao juntar um casal, ela decide que é uma “cupido” incrível e resolve ajudar outras pessoas, quer elas queiram ou não, pois pensa que sabe o que é melhor para elas mais do que elas mesmas. Precisa dizer que as coisas não saem exatamente como planejado? Bom, em Emma Approved, Emma Woodhouse é um jovem empreendedora à frente da Emma Approved, uma agência que promete fazer sua vida melhor. Porque Emma obviamente sabe o que é melhor pra você!

Uma das coisas que eu mais amo nessa história, seja nos livro ou nas adaptações, é como sua protagonista é tão falha, tão cheia de defeitos. O que faz a sua jornada tão divertida e emocionante. E nesta websérie escolheram muito bem a atriz que interpreta Emma, como tinha que ser. No começo, a maneira dela falar e suas atitudes podem parecer bem forçadas, mas esse é o objetivo; essa história fala muito sobre aparências. E outros personagens, como Alex Knightley (no livro o nome dele é George, mas creio que não quiseram que as pessoas confundissem com o George Wickham de Lizzie Bennet), Harriet, entre tantos outros, também estão maravilhosos em seus papéis.

Aliás, Emma Approved também ganhou um Emmy em 2015 como Melhor Programa Interativo Original, a mesma categoria que seu predecessor, Lizzie Bennet Diaries.

 

Frankenstein M.D. – É uma adaptação interessante. Sim, é baseado em Frankenstein, de Mary Shelley. A princípio você pode (como aconteceu comigo) se perguntar como eles vão fazer isso funcionar. Mas, acredite, fazem!

Algo curioso é que as personagens são versões “gender bender” do original: Frankenstein é uma doutora (ou quase… ela ainda está estudando) chamada Victoria (ao invés de Victor), seu amigo Eli seria a Elizabeth Lavenza do  livro, enquanto a Rory representa Henry Clerval. Já o monstro, bem… é mais divertido se você descobrir enquanto assiste. Nesta versão há também um personagem chamado Iggy, que certamente faz referência ao nome “Ygor” – que apesar de trazer à mente a imagem, já icônica, de um assistente de cientistas excêntricos em filmes de terror, ele não é de fato um personagem no livro de Mary Shelley.

Esta websérie toma bastante liberdades em sua adaptação, mas acredito que ainda consegue ser bem fiel, apesar da relação de Frankenstein com o monstro já ser bem diferente desde o princípio e do final ter me desagradado um tanto pouco. É um tanto quanto… abrupto. Tanto que eu estava esperando que tivesse mais. Porém, ainda assim, acho que é uma boa adaptação, que vale a pena conhecer.

 

The Autobiography of Jane Eyre – Baseado no romance Jane Eyre de Charlotte Brontë, esta série tem um clima, como posso dizer…? Mais delicado, mais melancólico que as outras adaptações desta lista. Sim, também tem seus momentos engraçados, porém de forma mais sutil. Este eu ainda estou assistindo (quase no fim) e estou amando! A Jane Eyre é ótima! Aliás, de todas as séries aqui, Jane Eyre é o única cujo romance eu não li. Pois é, shame on me… por um lado, contudo, isso é interessante, porque diferente das outras webséries, em que eu eu ficava curiosa para ver como iriam adaptar isso ou aquilo, aqui é tudo novidade pra mim. E fiquei super animada pra ler o livro!

 

Nothing Much to Do – Inspirada na obra Muito Barulho por Nada (Much Ado about Nothing) de William Shakespeare. E essa história é tão divertida! (Bom, é baseado uma comédia!)

Os personagens são mais jovens aqui do que no original – e do que em outras webiséries do gênero -, porém conseguiram manter a dinâmica dos personagens bastante fiel, que é o que realmente importa. O começo pode parecer um pouco confuso, com um monte de personagens sendo apresentados e logo no começo tendo vários vlogs diferentes (eles são: Nothing Much To Do, da Beatrice e da Hero; Benaddicktion, do Benedick; e Watch Projects, da Verges e da Úrsula), especialmente se você não conhece a peça ou se já não se lembra mais direito da história. Contudo, o episódio em que todos se apresentam é legal para voltar a ver sempre que houver uma duvida de quem é fulano ou ciclano, e não demora muito para os personagens e, oh, seus dramas, envolverem quem assiste. O Bendick mesmo eu não tinha muita certeza se gostava até o 1º episódio do seu vlog (“BIRDS” XD), no qual ele me ganhou totalmente.

Os personagens fazem referências constantes à cultura pop/nerd, inclusive sobre outras adaptações de Muito Barulho por Nada (como o incrível combo Shakespeare e Doctor Who, quando Benedick, discutindo com Claudio sobre atrizes que eles acham bonitas, diz que prefere Catherine Tate a Billie Pipper: ambas apareceram em Doctor Who, porém Tate também interpretou Beatrice em versão de Muito Barulho por Nada… com David Tennant interpretando Benedick!). E outros detalhes que complementam a história são as músicas, como a “Sigh Not So” (que toca no trailer abaixo), cuja letra é um trecho da peça, por exemplo.

 

Classic Alice – Um dos mais interessantes e divertidos por partir de uma proposta diferente, que, consequentemente, traz bastante diversidade. Classic Alice não é uma adaptação moderna de um livro clássico, mas sim uma “reencenação” de diversos situações vividas por personagens de livros clássicos. Deixe-me explicar melhor: Alice, uma jovem graduanda de literatura que sonha ser escritora, fica revoltada quando recebe a nota B- em um trabalho, ainda mais levando em conta a razão que o professor dá para isso – ele explica para Alice que ela escreveu com muita frieza sobre algo tão visceral quanto a poesia, que seu texto era técnico demais, sem graça, sem paixão. Assim, Alice decide provar que ele está errado e ela pode mostrar impulsividade e paixão, sim! E como ela decide fazer isso? Ora, encenando momentos cruciais de livros clássico, é claro! Livros que ela nunca leu antes, veja bem, pois assim será mais espontâneo.

Sendo assim, com qual livro ela decide começar? Algo bastante emocionante, com certeza: Crime e Castigo! Seu colega, que está fazendo a filmagem, chega a se perguntar se ela sequer faz ideia do que se trata a história… e, é claro, esse projeto da Alice irá lhe causar grandes problemas e virar sua vida de cabeça pra baixo. O que é absolutamente maravilhoso nessa websérie é como mostra a importância, o poder da literatura na vida das pessoas.

 

Então, essas não são todas as webséries baseadas em livros que assisti, mas foram as que mais curti. Recentemente comecei a ver Lovely Little Losers, inspirado na obra Love’s Labour’s Lost do Shakespeare, e é uma espécie de continuação de Nothing Much to Do (alguns personagens centrais voltam, mas os protagonistas mesmo são outros). Como acabei de começar (assisti muitos poucos episódios) não coloquei na lista acima, porém estou deixando aqui como menção honrosa porque adorando o que vi e essa jornada promete ser incrível, mesmo que dolorosa (sério, meu pobre coração!) e é uma ótima pedida se você está procurando mais diversidade, pois alguns dos protagonistas são gays.

E aí, você já conhecia essas séries? Gosta de alguma? De todas? Caso saiba de outras não citadas aqui e que você curta, indique! Eu amo esse tipo de adaptação e adoraria conhecer outras mais! 🙂

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s