Dossiê Vingadores – parte I – a origem

 Embora historicamente o Quarteto Fantástico seja o primeiro super grupo da Marvel, estreando em novembro de 1961, não há dúvidas quanto ao fato de que Os Vingadores têm obtido maior sucesso junto ao público e, em consonância com esse $uce$$o, têm sido o carro chefe das publicações Marvel desde… bem, senão desde o surgimento dos Novos Vingadores, em 2005, com certeza desde a gênese da Marvel Now [2012] – e devemos admitir que o faturamento das bilheterias tem impacto direto nessa conjuntura e talvez infelizmente vice-versa [em outro momentos chatearemos os leitores com um inoportuna discussão sobre as nefastas relações cinema-tv-HQs].

 

    Criados pela dobradinha de ouro Stan Lee e Jack Kirby, Os Vingadores surgiram em setembro de 1963 – em uma edição que todo leitor da velha guarda já leu dúzias de vezes, mas que talvez os leitores novatos desconheçam: Loki, o irmão aloprado de Thor, resolve aprontar das suas na Terra e, inadvertidamente, acaba reunindo um grupo bem pouco usual de super heróis que o mandam de volta para Asgard. O Homem Formiga, ao final, é quem toma a iniciativa: notando que cada qual tem habilidades notáveis distintas, fica evidente que juntos eles seriam imbatíveis – e assim sugere a criação de um grupo. A formação da equipe sofreria mudanças em breve – e podemos dizer que esta seria uma constante da publicação, que provavelmente nunca conseguiu reunir os mesmos heróis por mais de dez edições seguidas.

   Buscando traçar um panorama do grupo que congrega os mais poderosos heróis da Terra Marvel, vamos discutir sua origem [esta parte], as mais importantes publicações dos Vingadores ao longo dos últimos 55 anos (!!!) [parte II] e, por fim, as principais formações da equipe e seus mais notáveis inimigos [parte III].

Interlúdio – Um pouco de história


  Falar sobre Os Vingadores nos leva a um tempo tão remoto que nos depararemos com publicações que alguns leitores nunca viram antes – voltaremos aos anos de formação e consolidação não só da Marvel, enquanto editora, como dos quadrinhos de super heróis enquanto gênero. Se você gosta de história, então detenha-se neste breve interlúdio por um momento – mas se, pelo contrário, detesta, passe logo para o próximo tópico.

   Talvez agora não seja o momento mais adequado para desenvolver o assunto, mas julgamos necessário discorrer, ainda que rapidamente, sobre o surgimento da Marvel. Ao contrário da DC, que mantém uma trajetória retilínea desde 1935, a “casa das ideias” teve duas gêneses – uma, durante a Era de Ouro, em 1939, sob a égide de uma editora menor chamada Timely Comics, e a segunda, melhor sucedida, já durante a Era de Prata, iniciada em 1961 e em andamento até nossos dias.

Os primeiros heróis da Marvel, durante a Segunda Grande Guerra, foram Namor, Tocha Humana Original [o androide] e o Capitão América – personagens que, inclusive, viriam a ser, posteriormente, associados em um grupo chamado Os Invasores, em aventuras com forte teor patriótico. No entanto, durante a década de 50 os quadrinhos de super heróis em geral perderam popularidade e este trio foi para o limbo, por volta de 1955.

A Marvel, já com esta logomarca, retomaria sua jornada em junho de 1961 assumindo dois títulos em andamento, Journey Into Mystery [mistério + horror] e Patsy Walker [humor adolescente], e expandindo os horizontes das revistas em quadrinhos com uma marcante leva de heróis fantasiados. É com o Quarteto Fantástico, nascido em novembro de 1961,  que temos a origem do universo Marvel tal como o conhecemos hoje – um dos universos ficcionais mais ricos, fascinantes e influentes de todos os tempos. No entanto, voltando à década de 60, quando o novo time de artistas mal suspeitava do impacto que suas criações teriam na cultura popular do mundo inteiro, nos meses subsequentes ao surgimento do Quarteto Fantástico seríamos lentamente apresentados ao Homem Formiga [janeiro de 1962], ao Hulk [maio de 1962], ao Homem Aranha e ao Thor [agosto de 1962], ao Homem de Ferro [março de 1963] e à Vespa [junho de 1963].

Cumpre observar, portanto, que quando surgem Os Vingadores, em setembro de 1963, o Universo Marvel ainda não contava dois anos de idade – e que o sucesso do grupo junto ao público seria determinante para a grandeza que a editora viria a alcançar.

A origem


     Em uma época em que os novos heróis estreavam em revistas genéricas, como veremos na parte dois deste dossiê, o fato de Os Vingadores estrearem em título próprio indica que seus autores farejavam o sucesso no ar. A receita, aliás, era promissora: como um grupo formado pela junção de uma divindade da mitologia nórdica, o Thor, duas micro maravilhas da ficção científica, Homem Formiga e Vespa, um experimento científico mal fadado, o Hulk, e um milagre da ciência moderna, o Homem de Ferro, poderia não certo?

 

   Tudo começa na Ilha do Silêncio, em Asgard, onde Loki, o irmão adotivo de Thor, encontrava-se banido. Planejando vingança, ele projeta sua forma astral sobre Midgard, nossa querida Terra, em busca de uma terrível ameaça digna da atenção de seu odiado meio irmão. Depois de horas de vigília ele se surpreende com um grande ser… voando? Logo ele percebe que o indivíduo estava apenas “em um longo salto”, o incrível Hulk! “Embora não exista maldade em seu coração,” pondera o gênio do mal, “a humanidade o teme por causa de sua força impressionante. Ele será o chamariz perfeito!”.

   Loki cria ilusões que buscam dar a entender que o Hulk destruiu os trilhos por onde um trem estava prestes a passar – e embora, no último momento, o gigante esmeralda sustente ele mesmo os trilhos partidos, garantindo a segurança dos passageiros do veículo, prevalece a ideia de que o monstro teria provocado o quase acidente, que logo alcança as manchetes dos jornais.

   O eterno jovem Rick Jones, um dos personagens secundários mais importantes de toda a Marvel, não acredita na notícia e decide acionar a Brigada Adolescente, um grupo de jovens amigos que têm uma espécie de rádio pirata. Seja para ajudar a dissipar os boatos, seja para derrotá-lo, visto que o Hulk não poderia ser detido mesmo pelo exército, Jones envia um chamado para o Quarteto Fantástico, o único super grupo da época, tido como a maior esperança da Terra contra ameaças de grande magnitude. Os jovens enviam uma mensagem para a frequência secreta do Quarteto Fantástico mas Loki, o gênio do mal, a redireciona, misticamente, para o rádio particular do Dr. Donald Blake…

   Acontece que, para infortúnio de Loki, a mensagem chegou também à outros ouvidos e novos heróis, de diferentes localidades, resolvem tomar parte na ação:

   Quando o desânimo estava prestes à se abater sobre o ‘clubinho’ da Brigada Adolescente os jovens conseguem estabelecer contato com o Quarteto! O Senhor Fantástico, no entanto, responde ao grupo que estão ocupados com um ‘caso’, mas que, “de acordo com seus cálculos, a mensagem havia chegado a outros heróis que poderiam ajudá-los”. Nesse exato momento Thor adentra o clubinho, seguido pelo Homem de Ferro e pela diminuta dupla Vespa e Homem Formiga! Enquanto a Vespa se derrete pelo Deus do Trovão e o Homem Formiga busca encontrar uma forma de conversar com os rapazes, Loki, temendo que a presença dos demais possa atrapalhar seus planos, cria uma ilusão mental e atrai seu meio-irmão para fora.

   Julgando ser capaz de enfrentar o Hulk sozinho, Thor afasta-se do grupo e persegue uma imagem do monstro pelo deserto até descobrir que se trata apenas de uma ilusão. Furioso, ele logo percebe a influência funesta de Loki e decide partir para Asgard.

   De volta ao clubinho, o grupo nota a ausência de Thor mas ainda acredita ser capaz de lidar com o Hulk. Porém, eles se perguntam, onde estará a criatura?

      Em uma cena simplesmente antológica, encontraremos o Hulk integrado em um circo, onde suas habilidades, sob algumas camadas de maquiagem, podem perfeitamente ser admiradas e aplaudidas por todos, sob o pseudônimo de Mecano, a maior “maravilha” [marvel] de sua época! Acontece que, mil vezes mais genial do que um iniciante Stark, o Homem Formiga havia acionado seu exército de insetos para vasculhar os arredores e logo uma formiguinha reporta ter visto “uma performance simplesmente impossível” em um circo – e então os heróis resolvem averiguar.

   A diminuta dupla sai na frente! Desolada, a Vespa lamenta que Thor, “aquele sonho”, tenha sido suplantado pelo “medonho” Homem de Ferro… mas antes de concluir que ela “só pensa naquilo” eles chegam ao circo e o Homem Formiga ordena a suas amigas/lacaias que tornem o chão sob o Hulk… instável (!). Em minutos o chão cede o gigante cai. Hank Pynn toma um microfone e diz ao Hulk que só desejam ajudar, mas o a criatura se irrita e diz que não tem amigos e que não precisa da ajuda de ninguém. O público enlouquece, diante de um show tão animado. Uma fã animada comenta: “como eles conseguem sonhar com coisas assim?”.

Cada vez mais irritado, o Hulk remove a maquiagem e revela ao mundo sua presença, provocando pânico nos espectadores que fogem do lugar. O Hulk captura a Vespa mas é surpreendido pela chegada de uma figura dourada, o Homem de Ferro. Ainda buscando se controlar, o gigante esmeralda foge, arrancando a lona do gigantesco circo, sendo perseguido pelo ‘guarda costas’ de Tony Stark.

    Uma vez que a caçada terminou, voltaremos nossa atenção ao Deus do Trovão, que finalmente chegou à Asgard. Antes de mais nada ele se prostra ao trono de Odin, pedindo permissão para ‘visitar’ Loki. Parte em busca de seu meio irmão, enfrentando diversos pequenos percalços ao longo do caminho, mas cheio de determinação encontra o vilão! Como podemos ver no quadro ao lado: “Você estava me aguardando, Loki! Isto significa que você fez algo errado e tinha ciência de que eu viria para me vingar!”. Loki invoca um Troll, antigo morador da ilha, mas Thor o derrota sem demora. O combate entre os dois irmãos se prolonga, mas por fim Thor captura o inimigo e decide levá-lo à Terra…

    De volta ao planeta azul, encontraremos o Hulk ainda em fuga, pousando em uma fábrica de automóveis. O Homem de Ferro o alcança e o combate é retomado, cada vez mais acalorado. Quando o Homem de Ferro começa a perder a paciência, considerando que talvez os jornais estejam corretos ao dizer que o Hulk é uma ameaça, um clarão nos céus anuncia a chegada de duas figuras! Thor então conta a verdade, revelando que Loki foi o responsável pelo acidente com o trem e pela imagem negativa do Hulk. Furioso, o gigante verde parte para cima de Loki mas este se torna radioativo e afasta os heróis. Inesperadamente, no entanto, as amiguinhas do Homem Formiga acionam um alçapão e…

   Por um acaso do destino, nosso heróis estavam posicionados exatamente  em um local onde os caminhões depositavam resíduos de testes nucleares e… certo, certo, faltou criatividade ao jovem Stan, não? De todo modo, Thor poderá abrir o tanque e levar Loki de volta ao exílio – mas antes que tudo acabe o Homem Formiga decide fazer um convite: por que não unir seus poderes? O Homem de Ferro e o Thor logo concordam – e o Hulk, cansado de fugir, decide se juntar ao grupo, ‘queiram eles ou não’… mas como eles devem se chamar, pergunta o gigante verde? A Vespa diz, então, que deve ser um nome “dramático, vibrante, como… Os Vingadores ou…” – “ou nada, interrompe Henry Pynn. “É isso! Os Vingadores”. Por fim, o Hulk diz: “coitado daquele que tentar nos derrotar”, sendo seguido pelo Thor: “Nós jamais seremos derrotados, por que nós somos Os Vingadores”!

“E assim nasce um dos maiores times de super heróis de todos os tempos! Poderosos! Imprevisíveis!

Unidos por um capricho do destino, agora Os Vingadores estão em marcha e uma nova dimensão foi adicionada à maravilhosa [MARVEL] galáxia de estrelas!”

Remake de 2010 ou A origem recontada


 

   Em 2010 a dupla Joe Casey e Phil Noto recebeu a incumbência de recontar a origem do maior grupo de heróis da Marvel, expandindo as 22 páginas da aventura original em uma mini série com cinco edições. Ademais, coube à dupla renovar o contexto da década de 60 para os dias de hoje – ao invés de saber dos feitos do Hulk pela manchete dos jornais, temos a divulgação da notícia pelos noticiários da TV; ao invés de mandar uma mensagem via rádio, a Brigada Adolescente escreve um e-mail para o Quarteto Fantástico…

   Apesar da renovação, a dupla foi bastante fiel à edição original, como o apanhado abaixo buscará apontar:

Rodrigo Delli sempre gostou muito dos Vingadores…

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Um comentário sobre “Dossiê Vingadores – parte I – a origem

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