Divã do Provollone – Colecionismo – pt 2

Por Léo Provollone.


Reforçando o comportamento de colecionar


Muitas vezes, as pessoas são classificadas como artista, jogador, ou até mesmo como colecionador. Isso define a atividade pela qual um indivíduo mais se interessa, mas não serve para explicar o que o levou a gostar disso. Desta forma, pode-se perceber que o que interessa mais é saber o que as pessoas pensam ou fazem ao invés de como vieram a se tornar o que são. Pensando assim, o que leva uma pessoa a se tornar o que é? Ou melhor, o que leva um colecionador a colecionar? Este é o objetivo central do trabalho, respondido através da linguagem comportamental, o que pode ocasionar dificuldades para as pessoas que não estão familiarizadas com o tema. Por isso, antes de mais nada, é necessário definir alguns conceitos que serão utilizados posteriormente.

Em primeiro lugar, é importante saber que existem algumas consequências que aumentam a probabilidade de um comportamento voltar a ocorrer, elas são denominadas de reforçadores e selecionam as respostas do organismo. O reforço, além de acontecer com a apresentação de estímulos no ambiente (como quando recebemos um elogio pela coleção), também se dá com a retirada de estímulos do mesmo (quando por exemplo, um colecionador compra um Toy Art[1] para tentar esquecer uma situação ruim que esteja passando). No primeiro caso, um estímulo é acrescentado ao ambiente e por isso recebe o nome de reforço positivo, enquanto que no segundo, um estímulo é retirado e por isso é chamado de reforço negativo (MOREIRA e MEDEIROS, 2007).

Com relação ao reforço, conceituado anteriormente, pode-se classificar o reforço positivo em dois tipos. O primeiro chamado de reforço natural ou intrínseco, pode ser definido como resultado natural ou automático do responder, e que não é mediado pela ação deliberada de uma outra pessoa. Já o reforço Arbitrário ou extrínseco, pode ser definido como aquele reforçamento onde as consequências dependem da própria resposta e da ação de outras pessoas. Para exemplificar melhor, desenvolver um conhecimento sobre os tipos de Toy Art é um reforçador natural, enquanto que um elogio de alguém sobre a coleção, é um reforçador arbitrário. (ANDERY E SÉRIO, S/D)

Quase sempre, escutamos de colecionadores que “colecionar dá prazer” ou até mesmo que “colecionar me faz sentir bem”. Estas colocações nada mais são do que a descrição do efeito privado de um reforçador, ou seja, da coleção. Para Skinner (1991), as emoções têm um papel fundamental na vida das pessoas, apesar de não serem responsáveis por modificar um comportamento. Dentre os tipos de amor que ele descreve, o amor por colecionar poderia se encaixar no conceito de Philia, ou seja, reforço adquirido através de condicionamento operante.


[1] Toy Art é a Representação em 3D e tamanhos variados de personagens de filmes, jogos, séries de televisão ou história em quadrinhos. Muitas vezes são articulados ou em alguns casos, estáticos. Alguns são produzidos em larga escala, enquanto que outros são fabricados em edição limitada. Existem vários subgrupos de Toy Art.

Para ver a primeira parte do texto clique aqui. Esse texto também foi publicado no PsicoCor.

Fonte da imagem de capa: Estante Nerd

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s