X-Ciência – Como Starkiller Base funciona?

Por Marcelo Rubinho.

Antes de mais nada devo avisar que este texto contêm alguns pequenos spoilers do filme Star Wars – Episódio VII. Não é nada crucial, mas se você ainda não viu o filme e não gosta de nenhum tipo de spoiler, vá embora! Corra por sua vida… ainda tá aí? OK, então não diga que eu não avisei!


Yay!

Nossa, sei que estou um pouco atrasado e muita gente já comentou sobre isso. Mas a discussão continua! Como a versão mais poderosa da Estrela da Morte funciona? Ela absorve uma estrela inteira? Relaxem, vamos ver tudo isso agora!

Ah, ia me esquecendo, preciso agradecer o senhor Fellipy Silva pela ajuda e conversa sobre o texto 🙂

– Todos os cálculos a seguir são apenas aproximações.

– Usaremos apenas física básica para facilitar a compreensão e a diversão.

– Os valores de incerteza são calculados de modo estatístico por propagação.  

– Não tente isso em casa; esses cálculos são feitos por profissionais.


Bem, o pessoal que assistiu o filme comentou muito sobre como seria a física por trás da (como disse um amigo meu) Estrela da Morte 3.0. Temos um planeta que foi adaptado para servir tanto de base para o exército da Primeira Ordem como de estrutura para uma arma especial. Seu nome, Starkiller, vem do fato de ela precisar da energia de uma estrela para realizar seus disparos, extinguindo a tal estrela no processo.

Starkiller: 10 vezes maior que a Estrela da Morte!

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Parece que a versão 3.0 da Estrela da Morte é maiorzinha, mas nem tanto. Se compararmos, ela ainda é menor que nossa Lua em diâmetro. Antes que alguém reclame, o tamanho não é o único indicador para dizermos que se trata de um planeta ou não. Ele precisa seguir alguns rigores, como estar em equilíbrio hidrostático (esférico ou não) ou ser o maior corpo em sua órbita (somando todos os outros), além de percorrer um caminho no mesmo plano dos outros planetas e em clara órbita de uma estrela. Bom, perto de uma estrela ela estava, não?

E como cavocaram o planeta?

Acho que uma das maiores discussões é como conseguiram escavar um planeta daquele jeito. Bem, os geólogos de plantão fizeram muita cara feia. Mesmo sem pensarmos na pressão e na temperatura para aquela profundidade, possivelmente a Primeira Ordem teve problemas na construção (tanto trabalho só para ser destruído…).

Mas não quero discutir sobre isso nesta coluna: o que queremos é saber como ela ganha seu poder destrutivo!

Sugando estrelas para disparar?

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Essa é a parte mais absurda e incrível (ao mesmo tempo): a Estrela da Morte não possuía uma boa explicação de onde extraía sua energia, já Starkiller mostra claramente que o “alimento” do disparo é a estrela mais próxima. Uma coisa que eu não entendi bem é como Starkiller poderia realizar outro disparo, pois não é exposto se ela pode se locomover em direções além de sua órbita e, portanto, ao acabar a(s) estrela(s) onde ela conseguiria mais energia? Mas acabei zoiando na net e a resposta parece que é sim, Starkiller pode se “mover” para absorver mais uma estrelinha e carregar seu canhão. Uma coisa interessante, mas não confirmada, é a teoria de que Starkiller parece se tratar de um planeta conhecido das animações e repleto com o mesmo cristal que os Jedis utilizam para o funcionamento de seu sabre de luz. Talvez venha daí o motivo da escolha do planeta, e todo o segredo do disparo e acúmulo de energia esteja nesse cristal (você se lembra quando falamos sobre como funciona o sabre de luz?).

Mas, enfim, vamos ao que interessa. Como ela pode absorver energia de uma estrela? A maior possibilidade é que a Starkiller crie um enorme efeito gravitacional em seu interior e absorva a estrela da mesma forma que um buraco negro. Para entender melhor, veja esta simulação batuta da NASA:

Uma coisa interessante é que parte do material estelar deveria formar um disco no planeta, criando assim um efeito bem bonito. Acredito que existe alguma tecnologia que impeça isso. A Primeira Ordem não deve gostar de discos de acresção. Contudo o pior seria que, ao transformar o planeta em um buraco negro, os habitantes sofreriam também devido ao campo gravitacional (e provavelmente seriam torcidos e morreriam agonizando; seria o fim da Primeira Ordem logo no primeiro disparo). Mas relaxem, não é necessário a força de um buraco negro. Uma estrela de nêutrons (que é uma estrela pequena, chegando ao tamanho de uma cidade) já é o suficiente e pode acrescer material sem problemas, não sendo necessário criarmos um buraco negro.

Outra teoria seria a criação de uma campo magnético direcionando o material estelar. Isso seria mais difícil, porém pouparia os habitantes. E poderia justificar o controle da fragmentação do raio para diversos planetas, pois ela simplesmente teria um túnel magnético e dispararia o material por ele.

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O problema mesmo é a transformação desse material em energia. Se fosse possível absorver o material estelar e transformá-lo em energia, teríamos mais de 10³⁰ Joules de destruição energética carregados na nossa base (estou chutando baixo). Claro que a energia não deve ter eficiência de 100% na transformação, mas, pense nisso: 30 zeros depois do número 1… isso seria o suficiente para destruir não 1, nem 2, ou 5 planetas… mas trilhões deles! OK, a primeira ordem venceu, vamos embora.

CONCLUSÃO: Aquela cena da destruição de vários planetas é possível, mas com certeza sobraria energia para devastar uma galáxia. O que me leva  a pensar: a Primeira Ordem jogou essa energia excedente fora? Ou será que Starkiller acumula energia como uma bateria? Será que o aproveitamento da energia da estrelas é incrivelmente baixa? As possibilidades são várias, mas uma coisa é certa: é fácil imaginar Kylo Ren quando acordou depois da luta sabendo que seu brinquedo foi destruído.

kylo-ren-nervoso-como-funciona-starkiller-base-x-ciencia


Referências:
http://nerdist.com/the-physics-of-starkiller-base-how-powerful-is-the-force-awakens-superweapon/
http://hackaday.com/2015/12/22/the-scientific-implausibility-of-starkiller-base/
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